segunda-feira, 23 de setembro de 2013

"Bethânia e as Palavras" em Diamantina? Foi assim

De Wesley Ramos:

"...as fotos foram proibidas pela produção dela. Eles estavam gravando, e daria muita interferência. O pessoal obedeceu, tanto que tô revirando a internet aqui pra ver se consigo pelo menos uma mas ainda não consegui. Eita povo respeitador de regras é o povo mineiro viu!rs."
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"Denso – esta é a única palavra que encontrei para descrever o recital “Bethânia e as Palavras”, ocorrido em Diamantina-MG, na última sexta-feira. A sensação que se tem é a de que uma avalanche gigantesca de cultura, arte e poesia, estivesse comprimida em um recipiente hermeticamente fechado, e que ao menor estampido, tudo jorrasse como uma enorme onda que arrebata todos ao seu redor. Com dez minutos de atraso, ela sobe ao palco declamando “As Ayabás” seguida de “Olho de Lince”. Quem acompanha sua carreira e shows, já sabe que o tempo vai fechar, do jeito e da forma que somente ela sabe fazer. Com um blazer azul celeste, por baixo uma blusa branca bordada com dois cavalos-marinhos, também azuis, calça branca (peço perdão pela falta de fotos, pois era proibido qualquer flash em função da gravação do evento para compor o próximo lançamento dela) ela já mostra logo a que veio. O palco foi o menor e mais simples que já vi para ela, tendo apenas um pequeno tapete diante da tribuna e dois bancos de apoio.

Em compensação a esta simplicidade os músicos Paulo Dafilin (violonista) e Carlos César (percussionista), preenchiam o ambiente. O sucesso e luxo desta noite estavam ligados diretamente ao excelente desempenho destes dois grandes músicos.

A seqüência de poemas e textos era estarrecedora para o público, e desafiador para ela. O silêncio fazia seu império, pois ninguém queria e nem podia perder uma palavra sequer daquele momento. Tenso. Talvez pelo dia, ou pela gravação, ou pela emoção, nunca a vi tão forte e expressiva. Eu a olhava e a buscava em Maricotinha, no Amor Festa e Devoção, e até no recente Carta de Amor, em todos os shows que eu já fui, e não a encontrava. Era outra! Mais brava, mais real, mais forte, única. E quando o espetáculo se voltou para o sertão ela fez um show dentro do recital. Era tão forte a interpretação, e ao mesmo tempo tão verdadeira, que era possível visualizar o pó da terra, a seca do São Francisco, as latas d’água, quando ainda tinham. Este ato teve o seu ápice com ABC do Sertão, após o qual todos a aplaudiram incansavelmente. Outro momento de grande aclamação foi quando dona Maria discursou sobre a necessidade de uma escola pública de qualidade, e dá o seu próprio exemplo, citando sua condecoração com a “Ordem do Desassossego” pela Casa Fernando Pessoa.

Foi mais de uma hora e meia de apresentação, somente com dois rápidos intervalos e uns goles de água ali mesmo no palco, seguidos por fortes suspiros para recuperar o fôlego. O famoso “recital não tem bis”, com cara marota, foi feito por ela, que ainda cantou mais três músicas. Ao final, o rosto e o fôlego denunciavam a entrega que todos assistiram. Os comentários, na saída da tenda, eram unânimes: “o que é isto?”, “jamais pensei que fosse tão forte”, “essa mulher não existe!”, “isto é que é artista!”.

Confesso, e aqui assumo meu erro, que quando li a primeira vez sobre a apresentação “Bethânia e as Palavras” tive algum preconceito. Pensei que fosse chato e cansativo. Mas me esqueci do principal: estamos tratando de dona Maria! E, paixões a parte, no que ela se envolve não cabe mesmice ou mediocridade. Francamente, este recital foi diferente de tudo que eu já vi dela, ao vivo, em praça pública, em salas de concerto, casa de show, cd, dvd, tudo. Não tem com o que comparar.

O músico Paulo Dafilin foi a cereja do bolo no pós-show. Logo que desceu do palco, e terminou seus afazeres de músico, correu logo pro meio dos fãs que ficaram ali em volta da tenda. Conversou com todo mundo, deu atenção total o tempo todo. Contou estórias, falou das apresentações com outro grande nome da MPB Jair Rodrigues (olha o andar em que o cara está!). Tirou fotos e mais fotos, enfim, se a gente não reparasse na bandana e no cabelo bem bacana, acharia que ele era somente mais um fã (e acredito mesmo que seja) da Bethânia. Deixo aqui registrado meu abraço a ele, e fica a sugestão pro blog (Re)Verso entrevistá-lo, pois ele é uma figura!

A noite era de lua cheia, a cidade – histórica – estava linda! Fica na lembrança a cena dela saindo do local que lhe serviu de camarim, já (bem) vestida como uma senhora, coque, óculos, duas rosas nas mãos e se despedindo dos que ali estavam dizendo um alto e grave: Fiquem com Deus!"
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Wesley, muito obrigado.
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Um comentário:

luis claudio de oliveira disse...

Que bacana!! Legal você ter posto suas impressões Gostaria de ter visto. Ainda bem que foi gravado. Procurei qq coisa on line,mas não achei nada. Vc agora esclarece. Bethania é tudo e merece tudo de bom.
Que orgulho! Salve Rainha!