quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

13/02/09... 44 Anos de Carreira... Nossa Homenagem





Sobre o Destino e seu Compositor


Em 1978, quando estrelavam emblemático espetáculo juntos, Caetano Veloso relatava ao público uma história fantástica ocorrida no início de 1965, envolvendo Maria Bethânia.

Misto de premonição, ligação fraternal, coincidência – escolham o nome mais apropriado -, o fato é que os irmãos, até então separados pelas férias em diferentes cidades, por uma série de eventos repentinos, acabaram se reunindo, sem saber, naquela hora e local.

Casa de Mabel, Santo Amaro da Purificação. Seria mais uma manhã de verão banal, não fosse o telefone da irmã mais velha, que tilintaria horas mais tarde, anunciando: aquele dia era uma véspera.

“É engraçado a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer”. Com essa frase, Caetano concluía, no show de 78, a força do inevitável.




Do lado de lá do telefone, para a descrença de Bethânia, falava a atriz Nilda Spencer, que transmitia um recado dos produtores do Opinião. Eles queriam a menina baiana para dar voz ao Carcará.

No dia seguinte, ventos, raios e tempestades aportaram no Rio. A força da natureza rasgava o céu. Maria Bethânia e Caetano chegavam ao nome da cidade. Oyá abria as procelas para a Maricotinha: do bom, do mau tempo.

A seqüência de 44 anos que se fizeram a partir daí, nós conhecemos. Seria pleonasmo repetir todos os predicados que emanam das cordas vocais, dos olhos, dos gestos cênicos, da presença, enfim. Tudo já foi dito, e nenhuma metáfora será capaz de descrever o momento em que as luzes atravessam as cortinas e iluminam a ribalta povoada pela voz. Maria Bethânia comunica-se por arquétipos. Recados de sutileza telepática.

O chamado do irmão. O encontro inexplicável. O telefone renitente. A ventania e os raios em Copacabana. Por onde vai sua vida e quem a leva?

Restrinjo-me a lembrar esse sussurro, quase invisível, a conduzir os passos leves e determinantes da menina santamarense de 17 anos. O acender-se de uma chama que há mais de quatro décadas arde, em combustão, amores e protestos. A nascente dessas águas que, doces, inundam as amarguras de um país, de tantas solidões. A terra virgem que insiste nas lembranças musicais, afetivas, sábias e ingênuas de seu povo. Elementos em amálgama. Arte verdadeira que brota da imitação – de estranhas formas de vida. Atriz. A melhor atriz que o canto já produziu.

Na lembrança da manhã dos tempos que a fez plena, evoco Augusto Boal:

“Ela tinha pedido pra cantar É de Manhã, de Caetano, como sua primeira música. Eu pedi que começasse a cantá-la no camarim. Escureci a arena para que Bethânia entrasse no escuro em busca da sua flor. Vinha vindo a barra do dia, a barra do dia evêm e, quando o galo começou a cantar, no fim da canção, só então a luz se abriu como a flor, banhando sua imagem de alvorada.
Era de manhã, sim, Bethânia, como dizia a canção do teu irmão: era a linda manhã da tua bela carreira, que nunca terá noite”.




A trajetória de um acontecimento como Maria Bethânia tem muito pouco – ou nada - de acaso. Não há antes ou depois quando falamos do eterno.

O que quero dizer é que não comemoramos hoje o aniversário de uma estréia. Saudamos o Tempo pela composição de um Destino iniciado há 44 anos.

E da felicidade de tê-la, ouvi-la, mirá-la a nos oferecer doses generosas de beleza, chegamos a acreditar que tudo, sim, foi divino. E continua a sê-lo, como convém ao real.

Renato Forin Jr.




Gente, na comunidade tem foto nova, sorteio de Cd's e vídeo inédito!


Ilustração de Aninha e Mello da Costa - O Bondinho


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Rosa dos Ventos- O Show Encantado (1971)


Ela é um Grito

Bethânia é gente no palco, mostrando o que gente tem de mais belo e importante: liberdade e verdade interiores. E como tudo isso é projetado por Bethânia. As exclamações foram há muito banidas da linguagem jornalística. Pois, Bethânia, determina que elas voltem e, se possível, em maiúscula!!!

      Bethânia, falando, tem a eloqüência de um Lacerda em tempo de Getúlio. Tem um punching digno dos maiores "pegadores" e é ao mesmo tempo da leveza de uma pétala. Seu sorriso, sempre presente, mostra aquela ingenuidade das que, antes de artistas, são "macacas" de auditório, formadas pela massificação imposta pela antiga Rádio Nacional do Rio, nos tempos dos Cesar de Alencar etc., com o que seu repertório tanto se identifica, sob uma dignidade maravilhosa. Os passos de Bethânia, parecem que caminham para o definitivo, como se ele existisse. E por um momento, a gente tem a impressão que sim.

      Bethânia é uma alma que canta, sem saber o que; que fala apenas aquilo que sabe e se contenta muito bem com isso.

      Bethânia é linda. Bethânia é única. Não houve mais nada; houve Bethânia. A crítica especializada de São Paulo, assistiu, anteontem à noite a apresentação do espetáculo Rosa dos Ventos, estrelado por Maria Bethânia, dirigido por Fauzi Arap e produzido por Benil Santos. Os cenários são de Flávio Império. Não cremos que alguém tenha saído do teatro cantarolando qualquer das músicas cantadas por Bethânia; nem comentando a direção ou o cenário, ou a produção, ou luz, ou o comportamento do conjunto musical (Terra Trio), que a acompanha. As pessoas saíram hipnotizadas pela beleza, pela força, pela personalidade de uma das maiores expressões humanas desta terra.

      Maria Bethânia é uma explosão de verdade interior. É um grito. Uma beleza interior e exterior que magnetiza quem a vê. Não há possibilidade nenhuma de se enquadrar Bethânia entre as cantoras, ou atrizes que militam em nossos palcos. Ela não é musical. Não precisa e faz questão de demonstrar isso. Não assume compromisso nenhum com a música, nem com a melodia, a harmonia, a divisão a respiração, ou o ritmo. Ela parece que está no palco com o único intuito de se doar. E quanta coisa dá Bethânia durante todo o espetáculo! Bethânia também não é atriz e seus gestos que insinuam teatro, são até primários, mas, como ela comunica.

      Nesse show, há rosas e ventos, todos enviados por Bethânia, numa fúria de amor e paz, que só aos grandes compete.

Walter Silva - Folha de S. Paulo, 04/05/1972

DOWNLOAD DO ÁUDIO DO ESPETÁCULO

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Quentinha da Silva!!!

Pessoal, este momento merece ser eternizado!!Trata-se de uma entrevista onde o repórter se atrapalha e comete uma mancada daquelas, diante de Bethânia que mais que rapidamente sai à francesa com muito humor!Já havíamos postado na comunidade e estou colocando o vídeo que foi postado no Youtube por um dos membros da comunidade.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Fotos da Comunidade



Pessoal, pra quem não sabe este blog surgiu através da comunidade que temos no Orkut, a Maria Bethânia Re(Verso), que foi criada por um grupo de amigos, com a necessidade de falar sobre obra de Bethânia de uma maneira séria e coerente. Já se vão três anos e muitos amigos chegaram, e cada vez recebemos mais manifestações de amizade através de parcerias, cada um ajudando da maneira que pode, nos enviando algum vídeo, uma foto bacana, um comentário de agradecimento...enfim, uma das coisas que mais nos orgulha é que na tentativa de fazermos algo diferente, criamos uma 'marca registrada', um logo com as iniciais de Bethânia (MB), que sempre está presente nas fotos que ilustram a comunidade, muitas são verdadeiras obras de arte gráfica, e acreditem, sempre recebemos essas fotos, os moderadores apenas auxiliam dando opiniões quanto à colocação do logo, se devemos clarear mais as fotos ou não, pra que fique o mais belo possível, tudo é feito em conjunto SEMPRE. A idéia deste post é colocarmos uma coleção de várias fotos que ilustraram a comunidade ao longo desses anos. Vocês podem vê-las AQUI

Agradecimentos mais que especiais à Renato Forin Jr., criador do logo e a Aninha que sempre tão pacientemente nos auxilia. Bem como à todos que de uma forma ou de outra nos ajudam. A nossa vontade de seguir com a comunidade não seria nada, não fosse a luz que vocês lançaram sobre ela.

Orações na voz de Maria Bethânia - 2006

Orações na voz de Maria Bethânia - 2006
Independente


Faixas:
  • Oração (Fernando Pessoa)
  • Maria Matter Gracie (Autoria Desconhecida)
    participação de Kátia Guerreiro
  • Maria do Rosário de Fátima (Mabel Velloso)
    fundo musical: Ave Maria no Morro (Herivelto Martins)
  • Ave Maria (Fernando Pessoa)
    participação de Kátia Guerreiro
  • Oração a São Francisco (Domínio Público)
  • Ave Maria (J. Velloso)
  • Oração a São Cosme e Damião (Domínio Público)
    participação das Meninas Cantoras de Petrópolis
  • Nossa Senhora do Silêncio (Fernando Pessoa)
  • Ofertório (Caetano Veloso)

    arranjos, violão e viola: Jaime Alem
    voz convidada: Kátia Guerreiro
    coro: Nair Cândia, Jaime Alem, Viviane Godoy e Jurema de Cândia

  • http://www.4shared.com/dir/4449399/51131878/Oraes_na_voz_de_Maria_Bethania.html

    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009


    Adoro esta caricatura!