quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Rosa dos Ventos- O Show Encantado (1971)


Ela é um Grito

Bethânia é gente no palco, mostrando o que gente tem de mais belo e importante: liberdade e verdade interiores. E como tudo isso é projetado por Bethânia. As exclamações foram há muito banidas da linguagem jornalística. Pois, Bethânia, determina que elas voltem e, se possível, em maiúscula!!!

      Bethânia, falando, tem a eloqüência de um Lacerda em tempo de Getúlio. Tem um punching digno dos maiores "pegadores" e é ao mesmo tempo da leveza de uma pétala. Seu sorriso, sempre presente, mostra aquela ingenuidade das que, antes de artistas, são "macacas" de auditório, formadas pela massificação imposta pela antiga Rádio Nacional do Rio, nos tempos dos Cesar de Alencar etc., com o que seu repertório tanto se identifica, sob uma dignidade maravilhosa. Os passos de Bethânia, parecem que caminham para o definitivo, como se ele existisse. E por um momento, a gente tem a impressão que sim.

      Bethânia é uma alma que canta, sem saber o que; que fala apenas aquilo que sabe e se contenta muito bem com isso.

      Bethânia é linda. Bethânia é única. Não houve mais nada; houve Bethânia. A crítica especializada de São Paulo, assistiu, anteontem à noite a apresentação do espetáculo Rosa dos Ventos, estrelado por Maria Bethânia, dirigido por Fauzi Arap e produzido por Benil Santos. Os cenários são de Flávio Império. Não cremos que alguém tenha saído do teatro cantarolando qualquer das músicas cantadas por Bethânia; nem comentando a direção ou o cenário, ou a produção, ou luz, ou o comportamento do conjunto musical (Terra Trio), que a acompanha. As pessoas saíram hipnotizadas pela beleza, pela força, pela personalidade de uma das maiores expressões humanas desta terra.

      Maria Bethânia é uma explosão de verdade interior. É um grito. Uma beleza interior e exterior que magnetiza quem a vê. Não há possibilidade nenhuma de se enquadrar Bethânia entre as cantoras, ou atrizes que militam em nossos palcos. Ela não é musical. Não precisa e faz questão de demonstrar isso. Não assume compromisso nenhum com a música, nem com a melodia, a harmonia, a divisão a respiração, ou o ritmo. Ela parece que está no palco com o único intuito de se doar. E quanta coisa dá Bethânia durante todo o espetáculo! Bethânia também não é atriz e seus gestos que insinuam teatro, são até primários, mas, como ela comunica.

      Nesse show, há rosas e ventos, todos enviados por Bethânia, numa fúria de amor e paz, que só aos grandes compete.

Walter Silva - Folha de S. Paulo, 04/05/1972

DOWNLOAD DO ÁUDIO DO ESPETÁCULO

5 comentários:

Tony Tavares disse...

É muito prazereso encontrar um blog que fala da mais pefeita cantora e enterprete do brasil.pq ñ do mundo!!!!

Adoro Bethania

Tudo que bethania faz vira ouro
de tão rico em cultura e em perfeição.


grande abraço e parabéns pelo blog

eduardo caffaro SP disse...

não consigo abrir o audio, aparece um grande chiado. Alguém pode me ajudar ? o que devo fazer ?

Magno disse...

Eduardo, estou repostando o áudio lá na Comunidade no Orkut...verifique tb por lá, pq testei oáudio e não apresentou problemas, ok?Abração!!

Zé Raimundo disse...

Bethânia, como todas as coisas divinas, simplesmente é. Não precisa definição, descrição ou reconhecimento....Ela é uma Deusa entre nós, com a fúria de uma tempestade e a delicadeza de todas as rosas. Linda, profunda, suave, arrebatadora na sua forma de cantar e de ser. Ame-a ou deixe-a, mas nunca a ela se pode ser indiferente. Esse show, Rosa dos Ventos é a confirmação de que é possível estar entre os Deuses, sendo simplesmente humana...(e como ela è).

Anônimo disse...

Estou muito feliz com a descoberta deste blog.
Parabéns a vc e todas as reverências a maior artista demúsica do país.