domingo, 4 de outubro de 2015

Show "Abraçar e Agradecer" em Recife / 30/09 e 01/10 de 2015

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LINK PARA OUVIR A BELA CANÇÃO:

 http://www.4shared.com/music/c2lM4P0gba/Maria_Bethnia_-_Recife_Manh_de.html

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É preciso muito mais que abraçar e agradecer Maria Bethânia por seus 50 anos de carreira. É preciso abraçar e agradecer até o primeiro raio de sol que rasgou o céu de Santo Amaro no dia 18 de junho de 1946. Bethânia é um calor necessário, uma energia urgente e expansiva. Isso ficou provado, mais do que nunca, nesta última noite de setembro no Teatro Guararapes de Recife. Como alguns já devem saber por aqui, hoje foi minha estreia com Dona Maria. Um sonho que vem desde que eu ainda era criança e rodava os quatro cantos com o vinil Nossos Momentos debaixo do braço. Enfim... a minha reação imediata foi a de que eu passei a vida inteira sem saber de nada sobre Maria Bethânia. Sem saber que sua voz, através de discos e vídeos, não representa NADA do que se ouve ao vivo. E aos quase 70 anos de idade!

Acho que não lembro de ter sentido impacto comparável ao que senti quando ela emitiu a primeira nota de "O Eterno em Mim". Chorei. Não só pela emoção de vê-la pela primeira vez, mas por tudo que vivi nos últimos meses tentando assistir esse show e a sensação de estar ali era quase como presenciar o acontecimento de um milagre. E não deixa de ser. Ela agradeceu e Recife abraçou-a com o calor dos aplausos de um público que estava sedento por aquele momento. Eu, um natalense metido ali no meio, nunca senti uma troca de energias tão forte, tão intensa. Veio "Dona do Dom" e as lágrimas insistiam em cair. As mãos tremiam. Ela sabe o que está cantando. Ela é dona de muitos dons, serafim de procissão do interior. A sequência com Gita (momento em que a banda explode junto com sua voz, como já foi observado por Jessica), A Tua Presença Morena e Nossos Momentos me paralisaram. Aliás, em Nossos Momentos tudo estava paralisado em mim, menos minha mente - que se transportou diretamente à minha infância - e meu coração, aos pulos. Queria cantar junto e sentia que minha voz não saía. Só a partir da belíssima "Voz de Mágoa" consegui acompanhar. O primeiro ato terminou como um furacão na bela e pungente interpretação de "Rosa dos Ventos". O segundo ato já começa no mesmo tom: "Viramundo" e "Tudo de Novo" vieram em disparada, enquanto "Oração de Mãe Menininha" foi docemente acompanhada em uníssono pela plateia. Mas aí viria a sequência Eu e Água/Agradecer e Abraçar/Vento de Lá-Imbelezô Eu, que literalmente me fizeram dançar. "Eu e Água" foi perfeita, impecável, um deslumbre (e desde sempre uma das minhas favoritas, isso deve ter ajudado na minha euforia). Entram as modas de viola e eu me peguei mais uma vez paralisado e enfeitiçado com tanta delicadeza. "Xavante" me impactou. "Motriz" me fez chorar novamente.

Mas eu realmente não tinha dimensão do que é "Non, Je Ne Regrette Rien". Eu chorava e ao mesmo tempo sorria com Bethânia, que afirmava cada palavra e batia no peito várias vezes, dando uma verdadeira lição de verdade sob nossos olhares atentos e aprendizes. Tem que ser mulher. Tem que ser. Hoje, eu abraço e agradeço a cada raio de sol que me fez esperar até aqui pra acolher e aplaudir esse milagre. E, por último - mas não menos importante - gostaria de abraçar e agradecer esta comunidade que me proporcionou uma das experiências mais incríveis e intensas da minha vida. Saí de Natal com 15 reais no bolso e volto para lá com o registro em retina, coração e mente de um dos mais belos espetáculos que eu poderia presenciar na vida. Tenho ORGULHO de ser reversiano. E tenho ORGULHO de nascer e viver no mesmo país que a maior intérprete de todos os tempos.

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Texto de Alexandre Teixeira

Fotos de (em ordem de postagem) Alexandre Teixeira, Jéssica Lima e Cá Wanderley
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CLIQUEM SOBRE AS IMAGENS PARA AMPLIAR

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3 comentários:

Cida disse...

Que texto belíssimo e emocionante Alexandre. Curti e me maravilhei com a tua vibração e tua reverência à nossa deusa
. Maria Bethania tem o dom de nos tele transportar para um lugar de muito aconchego.
Parabéns por compartilhar conosco essa emoção.
Vida looooonga para a nossa deusa.

Alexandre Tex disse...

Coisa linda esse post, Edu! Obrigado por divulgar meu texto aqui no blog.
Ainda estou sob o efeito daquela noite incrível.
Que venha Bethânia e As Palavras em novembro! (e que os anjos digam amém! rs)

roger disse...

Concordo com tudo ! Já tive o prazer de ver betha por 4x em João Pessoa .. Nos shows: as canções ... Maricotinha ... Dentro do mar tem .... Amor festa e .... Esse nas areias de Tambaú/cabo branco. E de fato ouvir Bethânia ao vivo não tem como explicar, é absurdo demais o poder de sua presença é a VOZ nossa senhora ... Não tem como explicar. E dia 24 agora betha estará de volta à capital das acácias e estarei lá mais uma vez para ter o prazer de ouvir essa artista que não cabe de adjetivos que possamos lhe dá. É mágico. Enfim me empolguei, lindo texto na verdade Bethânia nos torna um melhor como gente e como ser ela consegue esse ato único na vida de quem está aqui em busca de felicidade ... E nos orgulhar mesmo